domingo, 29 de julho de 2012

Um dia de praia não é só um dia de praia


Um dia de praia não é só um dia de praia. Desengane-se quem acha que ir à praia é estender a toalha na areia, ir a banhos, botar o creme e apanhar sol. Ir à praia é todo um ritual a que respondem os fãs da areia. É antes um lugar de confraternização, de família, de namoro, de sedução, de passeio.
As famílias entram confiantes na praia, com os filhos pelas mãos, mais as cadeiras e os brinquedos. Escolhem um lugar sempre mais próximo da água para poderem controlar tanto as crias como a toalha. Escolhem um lugar em que não há qualquer problema em dividir com o vizinho do lado dois dedos de conversa e palmo e meio de tolha. As mães gritam aos filhos para lhes botarem o creme enquanto os pais abrem o chapéu de sol e o colocam na areia. Os restantes membros da família estendem toalhas e ligam o rádio para partilhar a música, raramente de boa qualidade, com os vizinhos do lado.
As conversas oscilam entre os ordenados cortados e o quão difícil de torna chegar à praia, 'derivado' do trânsito que é caótico. As mulheres conversam entre si sobre os quilos de celulite que ganharam este verão em virude de terem agora mais 'treuze' quilos. O ano passado não estavam assim, ora se estavam!
Os passeios são sempre à beira-mar. Se vão à praia em casais é fácil ver como se distribuem: as mulheres à frente a comandar o caminho, que se estende numa linha recta por vários quilómetros. Os homens vão atrás, conseguem controlar os rabos das suas senhoras e podem virar a cara quando passam uns rabos melhores que os das suas senhoras. 
Os que vão sozinhos debatem-se com o creme protector que não conseguem colocar nas costas todas e que acabam mais vermelhos nessa zona do que em qualquer outra. Leem o que podem e trouxeram e  vão a banhos se não desconfiarem que o vizinho do lado lhes possa meter a mão à bolsa.
Os mais novos alternam os banhos de mar com os jogos de bola e raquetes. Elas, mais que eles estendem-se na toalha e orientam-na na direcção do sol, para que o bronze seja uniforme.
No final, o ritual de saída é comum. Levanta-se a tralha toda e faz-se a chamada dos piquenos entre gritos e ralhates que podem variar entre o 'vamos embora já' ou o 'vien ici mediatamente'.
Bota-se a tralha as costas, sacodem-se pés, calçam-se os chinelos e partem, para no dia seguinte o ritual de repetir, sem grandes variações e oscilações.

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