A vida alheia sempre foi uma coisa fascinante porque é ela que determina se a nossa vida está ou não está boa. Passo a explicar: as coisas só podem ser classificadas e adjectivadas quando comparadas. Existe o gordo porque existe o magro, existe o rico porque existe o pobre, existe o preto por que existe o branco e por aí adiante. Ora a vida pessoal de cada um torna-se boa ou má consoante a comparação que fazemos com a do vizinho.
Este fenómeno tinha passado despercebido até ao momento que criaram o facebook e toda a gente, exagerando o estado da sua vida, publica tudo. E só consigo explicar o sucesso da rede social pelo interesse abismal que se tem pela vida alheia. Tudo é importante saber e constatar. Mesmo as mensagens que se querem subliminares acabam por vestir o carapuço de alguém. A familiaridade é tão grande que já se detecta pelo dito e pelo não dito a vida das pessoas. Pelas músicas, pelas frases, pelas fotos (muitas delas uma pirosada), pelo estado civil, pelas reticências, por tudo. E por nada. Mesmo os silêncios são interpretados - Está tudo bem? Andas desaparecida...
O facto é que o facebook está cheio de 'marias nabiças - tudo o que vês, tudo cobiças'. E nem foi por este motivo que me separei (embora não me tenha divorciado ainda porque apesar de ser um casamento por conveniência, ainda preciso daquilo), porque há muito pouco da minha vida que mereça ser cobiçado. Simplesmente acho que tudo aquilo me parece uma feira de vaidades, muitas delas sem qualquer fundamento nem pingo de verdade. Que seja!
Adorei ler!
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