Ele: Construí um abrigo contra a chuva para mim, mas não pude sequer gozá-lo em paz. O novo ser intrometeu-se. Quando tentei empurrá-lo para fora deitou água pelos buracos por onde vê e limpou-se com as costas da pata e fez um barulho como o que fazem alguns dos outros animais quando estão aflitos. Eu preferia que não falasse. Está sempre a falar!
Ela: O meu primeiro desgosto. Ontem ele evitou-me e parecia que não queria que eu falasse com ele. Eu não podia acreditar e pensei que era um engano qualquer porque eu adoro estar com ele e ouvi-lo falar. Como é que ele podia ser antipático comigo se eu não lhe fiz nada? Mas tive de admitir que foi isso mesmo, por isso afastei-me e fui sentar-se sozinha no mesmo sítio onde o vi pela primeira vez no dia em que fomos criados e em que eu não fazia a mínima ideia sobre o que ele era (e também não me interessava). Mas este lugar era muito triste agora e toda e qualquer coisa parecia lembrar-me dele e sentia-me como se o meu coração fosse partir. (...) Foi o meu primeiro desgosto.
* O melhor livro que li em 2012. É simplesmente delicioso.
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