Gosto deste país como se gosta de um filho mal educado. Nós reconhecemos-lhe os defeitos mas gostamos dele à mesma.
Há vezes, no entanto, que esta má educação nos tira do sério, nos envergonha, nos deixa mal e nos faz perguntar mas afinal onde é que errei?
Este país onde dizemos 'obrigadinha', quero um cafezinho, está boazinha? representa a pequenez de espírito que carregamos, esta subserviência matinal com que acordamos para lidar com aquilo que continuamos a achar nojento, injusto e insustentável. Esta pequenez que nos faz acreditar que antes isto que nada. Esta pequenez que nos mostra que há sempre gente pior e portanto o mal que carregamos é muito bom. Este espírito lambe-botas como meio de escalamento social. Esta pequenez do temos que aguentar porque a vida é mesmo assim. Esta pequenez que não obriga ninguém a responsabilizar-se pelas suas próprias acções porque todos erramos e errar é humano. Esta pequenez que nos faz ficar alapados com o cu no sofá porque há quem se mexa e se nada acontecer ao menos eu não me chateei. Esta pequenez que nos traz à memória que já fomos grandes e que isso nos deu créditos infinitos na memória colectiva. Esta pequenez que não cresce mete-me nojo.
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