Não sei desde quando nos deixámos de preocupar ou se alguma vez nos preocupámos francamente com alguma coisa. Não creio.
Vivemos com pressa de viver. Vê-se no trânsito, vê-se na fila do supermercado, vê-se na agonia que transportamos quando corremos para algum lado, nem sabemos bem para onde. Porque aquilo que passou a interessar a cada um de nós é o caminho que teremos que percorrer. O resto, tudo o resto são pormenores.
As dores dos outros serão sempre deles, e será talvez a única coisa que não cobiçamos. A fome dos outros, as insónias dos outros, as lágrimas dos outros, são deles mesmos. A nós não nos toca porque para nós as nossas dores serão sempre maiores.
E eis que, andando sempre tão entretidos com os seus planos, com as suas coisas, com o seu umbigo, esquecem-se de se preocupar com os outros, porque estes já não interessam.
Mais que esta evidência custa-me a apatia. Sempre me custou a resignação dos factos, esse optimismo mascarado com que se encara tudo para não ter que se encarar nada. Dói-me na alma e no resto do corpo.
E gabo, gabo muito a arrogância de quem fala sem saber, de quem argumenta sem sentir, de quem crítica sem padecer.
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